edu monteiro -
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Mitologias Contemporâneas

Tal qual o homem-bomba, que abre mão da sua identidade em nome de uma ideologia, Edu Monteiro esconde o rosto sob máscaras, obscurecendo sua condição humana à medida em que transforma-se em um ser híbrido. A diferença, entretanto, reside na poética que o artista alcança, brutal por um lado, repleta de humor por outro.

As texturas que o fotógrafo busca em elementos orgânicos -plantas, pimentões e carvões - aproximam sua pesquisa daquilo que Archimboldo fazia na pintura: retratos que confundem os sentidos ao deturpar a própria natureza. Já as imagens que ele obtém através da fusão do corpo humano com o corpo artificial – cigarros e bichinhos de pelúcia - remetem a um futuro sombrio ou decadente, habitado por criaturas mutantes.

De uma forma ou de outra, a carga política é intrínseca ao trabalho de Monteiro, quer seja nas mutações orgânicas que suscitam discussões ecológicas, quer naquelas em que o consumo se sobrepõe ao indivíduo, modificando suas feições, como que se houvesse adulterado sua carga genética.

Por outro lado, o preciosismo com que as produções são iluminadas só faz reforçar o discurso estético do artista, pois que a publicidade confunde-se com a arte dando verdadeiro nó na imagem fotográfica.

Os híbridos construídos nesta série de autorretratos são tão plurais quanto excludentes, evidenciando e ocultando as complexas facetas que forjam e tão bem caracterizam a espécie humana.

Esculturas vivas, os bustos fotografados conversam com o espectador sedimentando sua personalidade. Como Medusa ao olhar-se no espelho, somos petrificados quando nos reconhecemos nas imagens do fotógrafo.

 

Contemporary Mythologies

Like a suicide bomber, who gives up his identity in the name of an ideology, Edu Monteiro hides his face under masks obscuring his human condition as he transforms himself into a hybrid being. The difference, however, lies in the poetry achieved by the artist, brutal on one hand, full of humor on the other.

The textures that the photographer seeks in organic elements -plants, peppers and coals – draws his research near to what Archimboldo did in painting: portraits that confuse the senses when misrepresenting nature itself. On the other hand, the images he gets through the fusion of the human body and artificial bodies - cigarettes and stuffed animals - refer to a dark or decadent future, inhabited by mutant creatures.

One way or another, the political load is intrinsic to Monteiro's work, whether in the organic mutations which raise ecological discussions, or in those photos where consumption overrides the individual, changing his features, as if he had his genetic load altered.

On the other hand, the preciousness with which the productions are illuminated reinforces the artist's aesthetic discourse. The advertising is mixed up with art creating a conflict in the photographic image.
The hybrids built in this series of self-portraits are not only plural but also exclusionary, showing and hiding the complex facets that shape and characterize the human species so well.
Living sculptures, photographed busts chatting with the viewer settling his personality. As Medusa looking in the mirror, we are petrified when we recognize ourselves in the images of the photographer.

Bernardo José de Souza

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autorretrato sensorial é uma ficção pessoal. O impulso surgiu ao ver uma máscara sensorial da artista plástica brasileira Lygia Clark. Com ela, veio a vontade de experimentar, manusear, vestir aquele objeto de sensações e autoanálise, proposto pela artista.Comecei então a criar minhas próprias máscaras, não só inspiradas em poéticas utilizadas por Lygia, mas também em diferentes artistas ao longo da história da arte, que de alguma forma marcam minha memória. Inspirado nessa proposta, produzo autotransformações em vez de usar os corpos dos outros, como faziam Clark e Oiticica. Ofereço meu próprio corpo e mente a experiên- cias semelhantes com as que Lygia trabalhava no “arquivo de memórias” dos seus pacientes: os seus medos e fragilidades, através do sensorial.

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sensorial self-portrait is a personal fiction. The impulse emerged from a sensory mask made by a brazilian plastic artist Lygia Clark. With it, came the desire to try, to manipulate, to wear that object of sensations and self-analysis, proposed by the artist.So I started to create my own masks, not only inspired by the poetics used by Lygia, but also by different artists throughout the history of art, which in some way mark my memory. Inspired by this proposal, I have done self-transformations instead of using the others body, as Clark and Oiticica did.I offer my own body and mind to similar experiences as the ones Lygia worked in the “file memory” of her patients: their fears and weaknesses, through the sensory.