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MANDINGUEIROS

Mandinga, na capoeira, corresponde a um ato mágico, um ilusionismo que o corpo é capaz de realizar. Não é à toa que os velhos mestres são chamados de mandingueiros. Cercados pelas armadilhas das encruzilhadas e pela magia dos candomblés, protegidos por patuás e armados com navalhas, os antigos capoeiras se tornaram figuras míticas, como o lendário Besouro Cordão de Ouro.

O termo mandinga remete ao nome de um grupo étnico do antigo reino do Mali, na África Ocidental, que possuía poderosos feiticeiros. Também chamados de malinquês, os mandingas se converteram ao islamismo no século XIII. Os capoeiras se apropriaram do nome, mas ele surgiu no Brasil através de um costume disseminado pelos escravos na colônia: o de usar amuletos protetores conhecidos como “bolsas de mandinga”. Também chamadas de patuás, as bolsas eram utilizadas pelos capoeiras para “fechar o corpo” dos perigos do mundo.

A relação com a mandinga também se encontra na devoção religiosa dos capoeiras. A fé nos orixás e santos sempre existiu. A prova disso é que muitos pertencem ao candomblé e exercitam o sincretismo com o catolicismo. Antigamente, no cotidiano dos dias de domingo cumpriam um outro ato religioso, vestiam o terno branco, chamado de “domingueira”, com o qual saíam para “vadiar” em frente a largos e biroscas. Apesar de muitas vezes jogarem sobre um chão de barro, voltavam para casa com a vestimenta tão alva quanto antes e a elegância intocável.

A história dos antigos mestres é de superação dos limites impostos por uma sociedade que marginalizou e ao mesmo tempo foi seduzida pela capoeira. No final do século passado, a necessidade de sobrevivência lançou vários deles para a aventura da errância em outros países. Viajantes mandingueiros que, em busca de saídas, disseminaram a arte afro-brasileira mundo afora.

As fotografias de Edu Monteiro captam os momentos mágicos desses mandingueiros, seus gestos, preces, cânticos e movimentos acrobáticos, que transitam entre o mundo do sagrado e do profano.

Texto: Maurício Barros de Castro

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“Mandinga” – magic or witchcraft is one of the aspects that traditional capoeira cultivates or refines, but it is a difficult term to translate/explain. The name is of African origin and the meaning refers to the illusionist quality of the movements and thrusts/strikes,mainly from the legendary masters whose acts were considered to be magic and whose reputations tell stories of  invinsible bodies, bullet proof and blade proof thanks to powerful  “patuas” (literally leather pouch) necklaces and amulets that they carried with them.

The most famous sorcerer of this type of all time ever present in the mind and songs of capoeiristas,born in Santo Amaro in the area surrounding Bahia, was known as Besouro Preto (black beetle). He was called by this name because once, when he was imprisoned, his cell was found empty except for the drone/buzz of this flying insect. As a tough blaggard he clearly had a protected body, but couldn’t resist the enchantment of a woman-who broke his protection- and the knife of ticum, a sharp wood, particularly used against spells, punctured his body in an ambush.